top of page

Clara Ribeiro: “O samba tá na minha voz”

  • Foto do escritor: rapentinamente
    rapentinamente
  • 18 de jun. de 2024
  • 4 min de leitura

Por: Lucas Freire


A Clara Ribeiro é uma dessas artistas que você ouve uma vez despretensiosamente e quando se dá conta está ouvindo outra vez, e outra, e outra e outra... O poder quase magnético da sua voz a transforma no catalizador de tudo que há de mais precioso no underground da cena carioca atualmente. Com apenas 4 músicas lançadas, mas como muito projetos por vir, a jovem de 27 anos, natural da Zona Norte do Rio de Janeiro, demonstra toda sua versatilidade na música passeando por diversos gêneros.


Filha de pai sambista, compositor de samba enredo, Clara definitivamente cresceu em um lar musical, o que a própria define como fundamental para sua formação artística. Mas foi na música eletrônica e no RNB que a cantora encontrou um terreno fértil para o seu talento florescer, muito influenciada pelos seus amigos – e produtores – Chediak e Antconstantino.


Na eminência de lançar dois EP’s ainda em 2024, Clara Ribeiro bateu um papo com a Rapentinamente para uma entrevista sobre inspirações, carreira e projetos futuros.



Como começou sua relação com a música?


Eu sempre gosto de citar meu pai. Desde de pequena eu tive uma criação muito musical por causa dele. Ele tocava cavaco, um pouco de violão, se apresentava em casamentos, gostava de cantar, tinha um CD com um grupo de pagode dele, gostava de compor… Tudo que eu tenho hoje musicalmente aprendi com ele. Toda minha percepção musical vem do meu pai.


E quando você começou a cantar?


Eu nunca tive essa coisa que as pessoas falam de cantar na igreja. Eu cantava mais de brincadeira em casamentos com meu pai. Teve até uma vez que eu montei uma banda quando era pequena, eu sempre fui muito artística… Mas começar a me apresentar é algo recente. Eu comecei a cantar — profissionalmente — como backing vocal de uma amiga minha, Lettié. Aí depois comecei a me apresentar nos sets do Antconstantino… Mas antes disso eu nunca havia me apresentado pra ninguém.


Você disse que tem muita influência do seu pai. Você acredita que traz muito do samba para o som que você faz? Quais são suas referências na música?


Eu acredito que a minha voz seja totalmente MPB. Eu tenho essas referências de Milton Nascimento, Gal Costa, Mariana Lima… Mas eu acho que o samba tá na minha voz. O gênero das minhas músicas atualmente está todo voltado para a música eletrônica, até pelo que meus amigos fazem – Chediak e Antconstantino. Por causa deles comecei a me interessar mais por esse lado – da música eletrônica – e comecei a ouvir Kelella e Ojerime. Essas mulheres da música eletrônica começaram a me chamar mais atenção para fazer esse tipo de som.



Clara Ribeiro foi uma das convidadas de Antconstantino em seu set para a NTS

Você lançou sua primeira música “Intensidade” em 2022 e a segunda “Arrepio” somente em 2023. Em 2024, já são 2 músicas lançadas e 2 Eps anunciados, o que você entende que mudou para essa frequência ter aumentado? Por quê a gente não viu mais músicas suas em anos anteriores?


Acredito que foi uma questão mais de produção mesmo, de saber onde gravar. Eu não tinha um  estúdio fixo para gravar minhas vozes. Não tenho uma pessoa fixa para fazer a mix e master e aí tudo foi atrasando. Como a gente trabalha de forma independente, não temos essa coisa certa e tudo pode mudar. Eu tava esperando que meu Ep saísse em Março, mas teve um atraso na entrega mix. Eu queria que tivesse tido mais Clara Ribeiro no ano passado, as músicas já estavam prontas.


Por quê dois Eps e não um álbum?


O primeiro Ep está gravado desde o ano passado, por causa do atraso, não conseguimos lançar. Até esse primeiro Ep ser gravado eu não tinha intenção de lançar outro Ep.


O primeiro Ep é todo voltado para a música Afro, a gente fez todo o visual em Saquarema. Só que aí a gente foi pensando e nesse meio tempo – de atraso – eu fiz uma música. Eu tava passando por um momento complicado, fiz essa música e queria que ela fosse um Drum n Bass. Peguei um beat aleatório no YouTube, gravei e mandei pro Chediak e ele gostou. Aí pensei “cara, eu quero lançar músicas melancólicas, quero lançar músicas tristes”, conversei com ele e ele topou lançar um Ep em parceria.


São dois projetos completamente distintos, tanto visualmente quanto na forma sonora. Por isso, eu não pensei em juntar e fazer um álbum, foram momentos diferentes.


Você parece muito animada, o que você espera com esses projetos? Quais são suas expectativas?


Eu espero que de alguma forma eu consiga tocar outras pessoas e conseguir consolidar minha carreira pra poder investir ainda mais nos meus projetos. E eu acho que é isso, não espero fama, eu só quero fazer as coisas do meu jeitinho.


Sobre Prefácio, sua última música, como essa parceria com o CL aconteceu? A gente pode esperar mais dessa dupla em outros projetos?


O CL tá em todas! O primeiro Ep foi ele quem fez a captação. Nesse primeiro Ep também tem um beat dele e uma composição do Maui. Ele é meu amorzinho, um querido!


A gente tava no estúdio gravando “Acender” e ouvindo Ama Lou, ela tinha lançado um drill. O Diogo (Queiroz) falou: “queria muito que a Clara lançasse um drill”. Eu falei que não, que não ia fazer. O CL falou: “eu vou fazer um beat de 1 minuto e meio, e aí você se vira em cima disso”. Eu já tinha uma parte de Prefácio escrita pra outro beat, eu só completei a letra.


Nosso plano era lançar só no soundcloud, só que a música ficou muito boa! Aí começamos a pensar em lançar no Spotify, depois pensamos em fazer o clipe e foi isso.


Pra terminar, tem algum artista que você tem ouvido muito ultimamente e que você indicaria?


BINA. Uma música que eu tenho ouvido muito dela é “Dark Cloud”. Ela é maravilhosa!





Comentários


Post: Blog2_Post
  • Instagram

©2024 por Rapentinamente. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page